Comemorou-se ontem o Dia Mundial da Juventude. Uma pesquisa do Instituto de Política e Econômia Aplicadas [IPEA] mostra alguns dos problemas que circulam esta parte da população no Brasil, que soma hoje 51 milhões de pessoas [entre 15 e 29 anos].
Violência, falta de educação e de oportunidades de trabalho são as três questões mais urgentes para os jovens ouvidos na pesquisa. Porque interligados, podem ser considerados como um problema só. É que sem uma rede educacional eficiente, a possibilidade de competir por um emprego diminui drasticamente, e a falta de trabalho é um dos fatores que contribuem para o aumento da violência.
Diz a pesquisa que entre os jovens de 15 a 17 anos, somente 48% estão matriculados em escolas do ensino médio. Na mesma faixa, 18% estão fora das escolas. Dos 18 aos 24 anos, a faixa eleva-se para 66%. Meninos põem a culpa na necessidade de trabalhar e as meninas falam em gravidez precoce como os principais causadores da evasão escolar.
Entre os jovens de baixa renda, o trabalho é o maior motivo para a evasão escolar. "No Brasil, não se permite aos jovens apenas estudar. Eles precisam
trabalhar para sobreviver. Além disso, há uma expectativa muito grande
dos pais para que eles ajudem no orçamento doméstico", avaliou o
sociólogo Domingos Abreu, professor da Universidade Federal do Ceará [UFC] e membro do Laboratório de Estudos da Violência.
A entrada no mercado de trabalho tem um sigfinicado também simbólico, de passagem, avalia o professor. "Na verdade, os jovens das classes mais baixas querem arranjar um emprego assim que podem. Para os jovens das classes populares, a vida adulta começa muito antes do que para os jovens da classe média", disse o professor.
A falta de qualificação, porém, impede que esta passagem se complete em boa parte dos casos. Da escola, muitos dos jovens seguem para o desemprego. A falta de trabalho é um problema para 46% do total de jovens entre 15 anos e 29 anos; entre aqueles que tem entre 18 e 24 anos e estão ocupados, 50% não tem carteira assinada.
Os jovens ouvidos na pesquisa também apontam a violência como problema. Os números do Ipea sustentam a indicação: as formas de morte mais incidentes nesta faixa da população são violência e os homicídios [38%] e os acidentes de trânsito, 27%.
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